sábado, 26 de julho de 2014

O desafogo dos pés.



Quando não mais de vós for a vez. Quando, portanto, perdei-vos. Apresente vossa descida. Adormeça e mistura-te. Apresente-vos seu talvez!

Os chinelos sumiram. Os sapatos, meias ou degraus; Todos longe.

Descalço.

Correr sobre brasas alivia a dor da queimadura inevitável quando planta-se os pés parados em seu mais quente vermelho.
Chão.

A sola, a pele... Como de pé na lama, as brasas invadem os “entre dedos” e, de mãos dadas com a dor, passeiam sob nervos.
Queimado.

Andar para frente seria como patinar em gelo com travas. Retornar?

Fracasso.

A esquerda apresenta seu chão limpo, livre de brasas. À direita idem.

Saída.

O chão limpo é frio. Agora vermelho...
Alívio.

O caminhar é tranqüilo. Ali, em frente, os calçados.

Calçado?

Mas os sapatos não cabem mais. Chinelos? Tampouco!

Migração.

Agora, mais familiar, o chão que há muito não se apresentava.

Revivendo.

Equivalente, proporcional, congruente... Chão, chão é chão.

Adaptação.

A roupa guardada há tempos é re-vestida.


Pé atrás.

Feito brasa, aquece o peito. Brasas em quase o corpo todo, agora. Chamas!

Novo.

Ainda de pés nus, mas aquecido o peito. Ainda queimado, porém vestido.

Ilusão.

Camisas não se calçam. Os pés querem desafogo.

Descalço. – Ainda.

Mas o chão existe! Talvez nem o alto exista sem ele. Talvez as cicatrizes gerem lembranças lá no topo. As camisas usadas lá, no alto, para proteger do frio, não poderão calçar os pés aqui, em brasa. Talvez, mais uma vez, o chão seja esquecido de vez. Então, acordando sobre chamas, os “entre dedos” sapequem e aqueçam as lembranças de que, sem o chão... Sem o chão não dá, não existe talvez!
 Degraus, por favor. Preciso descer! 





quarta-feira, 11 de junho de 2014

Meu histórico de Copas. Ou, de Copa em Copa!


Um dos gols de Romário em cima do Uruguai pelas eliminatórias para a Copa do Mundo de 1994 fez lembrar os anos anteriores de Copa América e comemorações de gols que só meus amigos da rua 9, em São Luís sabiam fazer. Aquela classificação para a Copa nos Estados Unidos ainda não me parecia tão especial, pois a inocência mais me permitia querer ver gols a todo instante do que propriamente torcer ou assistir ao jogo. Mas me lembro de todos os jogos daquela Copa. De todos os gols: de Romário e Raí no primeiro jogo contra Rússia. Começava a trajetória para o Tetra.

Da decepção de 1998 ao aprendizado de uma criança que entendia ali que não se pode ganhar tudo, a Copa de 2002 havia chegado com a insegurança herdada de 4 anos atrás mas também com a esperança de vermos Ronaldo recuperado de uma grave lesão junto com Ronaldinho Gaúcho, voando com seu futebol, e Rivaldo, uma aposta de Luís Felipe Scolari, que a meu ver, foi o melhor jogador daquela competição. A Seleção Brasileira, jogo a jogo, encantou e empolgou os torcedores, brasileiros e do resto do mundo. Ganhamos a Copa, vencendo a poderosa Tri-campeã Alemanha por dois a zero. Nas madrugadas do mês de junho daquele ano vencemos ainda a tradicional Inglaterra, o jogo que alavancou ainda mais o favoritismo da amarelinha.

Nas duas últimas Copas do Mundo, já com mais idade, consegui separar bem a paixão por futebol da razão de que não tínhamos um bom time e que, provavelmente não chegaríamos... Apesar do retrospecto: 1994, 1998, 2002, 2006 e 2010, em cinco Copas havíamos chegado em três finais e conquistado dois títulos de nossos 5. A minha torcida, é claro, sempre foi forte, apaixonada. Daquelas que acredita em um gol aos 46 do segundo tempo perdendo por três a zero e faltando quatro minutos para acabar.

Antes da Copa de 94 começar, meu pai chegou de viagem com uma revista com reportagens especiais sobre as Copas. Sentamos no batente da porta de casa e ele começou a ler sobre cada uma das três copas até então conquistadas pela Canarinho. Até que ele chegou a um tal de Mané de pernas tortas. Meu pai leu que “os Joões faziam fila na frente de Garrincha”. E eu não entendi nada. Ele me explicou do que se tratava e eu logo imaginei muitos gringos loiros, que se chamavam João, fazendo fila e sendo driblados pelo camisa 7 da seleção. Depois desse dia, dessa leitura, dessas histórias, o futebol entrou em minha cabeça de maneira diferente. Parece até que percorre minhas veias, se mistura com meu sangue.

Esse é meu histórico das Copas. Lembro da minha primeira aos 9 anos de idade. Queria muito lembrar mais da de 1990, mas nada mais que bandeirinhas penduradas e alguns churrascos num fim de tarde me vêm na memória. Porém, muitas outras Copas virão.


A Copa do Mundo Fifa de 2014 é sediada hoje aqui, no Brasil. Eu não tenho condições de ir a algum estádio, assistir a algum jogo ao vivo. Lógico, tenho vontade. Entretanto, em minha casa, no meu conforto gritarei absurdamente depois de cada gol de nossa Seleção. Assistirei a uma Copa sediada no Brasil. Aproveitarei. Torcerei. Quero ver nossa Seleção ser Hexa. Quero um dia contar a meu filho que só tem 1 ano e que em sua primeira Copa, além de ser em casa, fomos campeões, gritamos gol com muita força.

Sinto que meus 28 anos de idade, facilmente poderiam ser divididos de quatro em quatro anos. De Copa em Copa!  

sexta-feira, 28 de março de 2014

No aniversário de Tutoia... Nada para comemorar!




É desolador o caso do rapaz morto em um acidente que envolveu um carro e sua moto que deixou outra pessoa gravemente ferida. As pessoas próximas da vítima e até as que nem a conheciam compartilham o sentimento de tristeza, incapacidade e revolta. Mais um jovem que perde sua vida em Tutoia. Quais motivos? Encontraríamos vários se procurássemos com atenção.

Lembro-me quando criança de ir e vir no trajeto Comum/Tutoia por muitas vezes. Uma vez fui de bicicleta ao Comum com meu pai quando não havia estrada, só piçarra e barro. Um caminho tranqüilo, sem muitos carros, nem casas ao redor. Depois veio a estrada e com ela também vieram os carros, cada vez mais carros. Lembro também que, esporadicamente, aconteciam acidentes. E Tutoia foi crescendo.

Creio que não é sadio dizer que o crescimento de nossa cidade proporciona tragédias. A estrada trouxe o crescimento e com ele vieram empregos, oportunidades de mudança de vida. Quem sonhava em ter seu veículo aos poucos pode perceber que também poderia tê-lo. Então, com a facilidade, chegamos à enorme população de automóveis que existe aqui. Já observamos engarrafamentos, brigas por causa de trânsito, pequenas batidas e, como já sabemos, acidentes fatais.

Mas a linha de raciocínio não é lógica ao ponto de ligarmos crescimento ao desequilíbrio, pois variáveis fundamentais existem e não são citadas. Cabem aqui perguntas relevantes como: “- Com o número excessivo de veículos, seus condutores aprenderam a guiá-los, como?; - Quantas das pessoas que aqui dirigem conhecem as leis de trânsito?; - Quantos dos veículos e condutores da cidade são legalizados?”. Esses questionamentos partem do ponto de que, se você conhece as regras de trânsito deverá, então, segui-las, caso contrário será penalizado. Caso não as conheça, então, não deveria ter liberdade para guiar um veículo. Primeiro aprenda, como se deve e como pede a lei, para depois pensar em possuir um veículo.

Falar em direitos aqui também é irrelevante, pois um grave erro na ordem das coisas está ocorrendo. Por mais que seja bonitinha a história de que agora “o trabalhador de baixa renda, o proletário, o pobre” – como dizem os populistas – pode comprar o seu veículo, ela não vale de nada. Se puder comprar um carro ou uma moto tem que poder, também, estudar para tirar a Carteira Nacional de Habilitação. Primeiro você compra o automóvel e depois se habilita?

Mais perguntas são necessárias. O poder público, que não se mostra interessado nessas questões deveria intervir. “- Porque não o faz?; - Em Tutoia não vemos, ou ouvimos nas rádios programas de conscientização, nem em panfletos, em muros pintados, praticamente não existe, e por quê?; - Para que se pintam faixas de pedestres pela cidade sem informar às pessoas como as deveriam usar?; POR ONDE ANDAM AS LEIS DE TRÂNSITO NESSA CIDADE?”

Pessoas morrem frequentemente em nossa cidade pelo simples motivo de imprudências que já viraram rotina. Cada vez mais têm motoqueiros menores de idade, levantando pneu, fazendo manobras, pilotando sem capacete, ultrapassando pela direita, pelo acostamento, fugindo dos quebra-molas. O número de motoristas alcoolizados durante a semana e principalmente nos fins de semana é alarmante. Sair de casa nesse período é correr risco de vida. Nos domingos, aqui em Tutoia, é necessário ficar em casa, pois as imprudências se multiplicam. É fácil de concluir que quando acontece um acidente por aqui é difícil encontrarmos um culpado apenas, pois grande maioria dos motoristas e pilotos, inclusive ciclistas, comete abusos no trânsito. Fora a administração, o poder público que faz vista grossa. - Qual autoridade irá observar isso e agir para o bem das pessoas?

Portanto, são variáveis demais. Não se pode, de maneira alguma, culparmos o crescimento de uma cidade por suas mazelas. O que existe é um desequilíbrio. Não seria possível zerar com acidentes em nossa cidade, mas diminuí-los já é mais que obrigação. Melhorar o trânsito de nossa cidade significa salvar vidas. Até quando veremos imprudências acompanhadas de impunidade nessa cidade?

No aniversário de Tutoia deveríamos estar de luto. Enquanto jovens estiveram nas ruas fazendo manobras ilegais em suas motos depenadas e descaracterizadas; enquanto motoristas estiverem ilegalmente guiando seus veículos também ilegais; enquanto Toyotas carregarem pessoas em suas carrocerias como mercadorias; enquanto as ruas e a estrada estiverem impenetráveis por conta de carros mal estacionados; enquanto crianças pilotarem motos; enquanto motoqueiros e passageiros andarem sem capacete; enquanto motos não possuírem retrovisores, faróis e descargas adequados; enquanto pilotos e motoristas não tiverem a Carteira Nacional de Habilitação e seus respectivos veículos não estiverem legalizados; enquanto não se extinguirem os bares da beira da rodovia, enquanto os mesmos jovens que pilotam motos não estiverem em suas escolas e comprarem bebidas livremente nesses mesmos bares... Enquanto... Por enquanto aguardaremos novos acidentes, esperamos que não sejamos vítimas, desejamos que não haja mais mortos, queremos que culpados sejam penalizados por suas culpas, sonhamos que um dia as autoridades ajam com honestidade e punam quem sempre está coberto pela capa da impunidade!

No aniversário de Tutoia... Ela não merece nada do está acontecendo, mas, se está acontecendo, merece pessoas que ajudem a mudar essa realidade. Se existem essas pessoas não sabemos. Temos que esperar para ver! 

quarta-feira, 19 de março de 2014

A melhor reivindicação é o estudo, em sala de aula! - Ou, EXPECTATIVAS.

A expectativa, a esperança, o desejo de algo novo é algo delicioso. Às vezes, em exagero, pode até ser considerado desnecessário, pois muita ansiedade pode atrapalhar e, assim, fazer perder detalhes da grande estreia. Porém, é essa sede que os inícios proporcionam o que normalmente alimentam a arrancada para uma corrida em nossas vidas.

Lembro bem dos inícios em minha vida, de minha ansiedade, meus sonhos, minhas expectativas. Claro, nem sempre isso ajudava, mas o importante é que eu sabia que algo estava mudando, se desenvolvendo, buscando evoluir. Em especial meus inícios de ano, de aula, me proporcionavam emoções que não esqueço. Muitas vezes simplesmente por mudar de série ou, apenas por terem trocado a lousa que era de giz por uma de acrílico. Lembro a alegria que tive quando descobri que no ano seguinte àquela minha 6ª série eu teria um laboratório de ciências para estudar. Aquela escola me prometera isso e assim o fez. Lembro-me da primeira aula, das aulas seguintes. Lembro-me de um dia ter oferecido meu dedo para ser furado, meu sangue ser analisado em uma aula e assim descobrir que sou O+. A minha 7ª série, também por isso, mexeu comigo e desde então me fez olhar diferente para a disciplina de Ciências. Nunca fui dos melhores alunos, entretanto, a curiosidade me dominava quando se tratava de novidades na escola.

Hoje mais cedo vi um grupo de alunos passar em frente a escola que trabalho, o Instituto Educacional Maria Madalena – IEMMa, o que me fez reavivar essa lembrança, que ainda hoje me faz tão bem. Os alunos, aparentemente do Centro de Ensino Casemiro de Abreu, daqui de Tutoia, faziam uma pequena passeata reivindicando, a meu ver, melhoras em sua escola. Especificamente, a lembrança veio à tona quando um dos alunos gritou: “- Queremos nosso laboratório de Química!” Para mim, que não aprovo “movimento de massa”, não concordo com essa história de voz do povo - pois a voz do povo já colocou boa parte do mundo em apuros - a passeata dos alunos me agradou. Lógico, mais por emoções pessoais do que por importância do ocorrido, porém consegui ver nos olhos de alguns daqueles alunos certa vontade. E isso é o que mais deixa um professor maravilhado: Ver um aluno com vontade de conhecer.

Conheço o laboratório daquela escola. Enquanto aluno do curso de Ciências Exatas – UFMA recém-terminado, visitei o tal laboratório para uma aula de química e uma de física. Em ambas, as aulas foram prejudicadas por faltar equipamentos adequados ou por existirem equipamentos, mas com defeito ou simplesmente por não estarem completos – foram tirados por alguém ou não... quem saberá? Como foi diferente o resultado da expectativa para aquela aula – frustrante!

Dos alunos da passeata estão tirando, além do direito de conhecer e estudar, o direito de ter expectativas, de ficarem ansiosos com o novo ano, com professores novos, equipamentos novos. Querer um laboratório de química significa que existe a necessidade, a expectativa, mas que foi abafada com a mesmice e a rotina enfadonha herdada por professores anteriores da disciplina ou simplesmente por nunca terem sido tratadas com a importância devida.

As aulas na cidade que moro não são motivos de satisfação. A tensão toma conta dos profissionais da educação. Professores remanejados, soltando comentários do tipo: “- Tu ta onde? Me colocaram no colégio tal, na localidade tal.” Isso é o que escutamos comumente nas filas do banco, nos supermercados, nas ruas... Não existe expectativa para o início das aulas, a não ser, se o colégio acolá irá reabrir. Frustrações! Os alunos que vivem tentando estudar ou pelo menos estar nesse meio experimentam desânimos demais. Já não têm as aulas que deveriam ter, os prédios que mereciam, os incentivos que necessitam e estão tirando deles a expectativa de uma vida melhor proporcionada por sua dedicação nos estudos. Salvo aqueles heróis que só dependem de si, os alunos do Ensino Fundamental e Médio de Tutoia estão vivendo o desprazer de encontrar pessoas descompromissadas com a educação que deveria ser prioridade.

Com sinceridade, espero que esses alunos que vi hoje pela manhã saiam das passeatas. Desejo que eles voltem para suas salas de aula e encontrem livros e mais livros, leiam incansavelmente, estudem de verdade. Se eles não têm com quem contar é melhor contar consigo mesmo, não pedir nada a ninguém e, como já disse: estudar para valer. O recado que eles queriam dar também poderia ser passado de outra maneira, mais ordeira. A melhor resposta que darão a toda essa situação será com boas notas e uma aprovação no vestibular.


Esses adolescentes precisam estudar, cada vez mais. Precisam de professores cada vez mais compromissados, que ensinem. Só assim as suas curiosidades serão alimentadas. Só assim a sede de conhecimento será estimulada. E as expectativas para o futuro serão mais concretas, pois seria deles mesmo que esperariam o melhor.

sábado, 15 de março de 2014

Ilusão - ... com palavras!!


Enfrentar problemas com palavras é a maior das derrotas. Tentar diminuir um mal, resolver desafios, solucionar incógnitas da vida apenas falando ou apenas com pensamentos é o mesmo que ludibriar-se. O que há de mais desonesto do que enganar a você mesmo? 

O uso de drogas: cigarros, álcool, telenovelas..., é visto por muitos como uma fuga para encobrir os problemas diários. O esquecimento do que anda afligindo as pessoas virou solução para não solucionar ou simplesmente reconhecer o está acontecendo com você mesmo. Qual a diferença entre enganar-se com palavras ou com algo químico? A saúde mental anda inutilizando cada vez mais pessoas. E enganarem-se com frases, pensamentos, clichês, idéias, acarretaria mais em angústia crônica do que realmente em algo bom. 

- O que aconteceria com um acúmulo de problemas em suas vidas? O perigo dessa bola de neve não se resume a quem a cria, mas acaba enfraquecendo estruturas de quem as rodeia. A correria e superficialidade nas vidas das pessoas andam exigindo cada vez mais soluções rápidas ou, apenas, algo que as façam esquecer ou tentar resolver depois.  É como um vírus. 

Aprender a aceitar os problemas da vida é o mesmo que aprender e aceitar a individualidade natural de cada um.  Não é demais ressaltar que a massa de pessoas inseridas nesse mundo já não é ela mesma há muito tempo. Conhecer-se ou reconhecer-se, hoje, talvez seja tão difícil quanto se desintoxicar ou trabalhar para o controle ou extinção de um vício. Pois vivemos um vício. O vício do costume, do que já foi imposto. E assim vamos desgarrando do que mais nos fortifica: - Nós mesmos!

Em um número bem pequeno, bem pequeno mesmo, existem aqueles que não são como a massa. Que apesar de não desgarrar de todos os costumes pré estabelecidos busca incansavelmente reconhecer-se nesse mundo de viciados.  Essas pessoas têm dificuldade de relacionamento, de conviver, de simplesmente ouvir. Falar não é necessário, expressar-se tampouco. Quem as entenderiam? São tidos como egoístas por não demonstrarem interesses pelo problema alheio. Pudera, como escutar alguém que encontra todas as desculpas, mas não encara o que terá de resolver com honestidade? 

Preocupar-se só com você mesmo está longe de caracterizar o tal egoísmo (egoísmo mistificado). O que o caracteriza, e com força, são as atitudes da maioria com o outro, fazendo-o acreditar que palavras irão livrá-lo do problema. E para quê? Para se livrarem também. Como não se conhecem e não são capazes de resolver seus problemas, não querem quem está próximo com problemas. Por isso os enganam, assim como fazem consigo mesmo.    

Quando não se preocupa com o problema alheio, é porque o problema é alheio. E só sente isso quem é capaz de resolver os seus próprios. As palavras, idéias, frases já construídas, jamais darão soluções para algo real. E se não nos conhecemos é porque não somos reais.

   

quinta-feira, 13 de março de 2014

Mas que vidinha, hein, Dona Hiena!!

Ó, pequena Hiena, não lutes mais, será em vão!

É indiscutivelmente fácil a vida de hiena. Ela vive de restos, carniças, carcaças de animais já vencidos, devorados, ou por outro predador ou pela própria natureza. Entretanto, nunca vencido por ela mesma! Vive na sombra, é preguiçosa. Pode até parecer perigosa: mostra as garras para alguns animais, contanto que sejam menores que ela, é claro! Aí ela se esbalda, com as presas à mostra e um sorrisinho safado, junto de um rangido medroso, típico de quem vive das sombras dos maiores. - Mas que vidinha, hein, dona Hiena!

Grandes predadores armam botes estratégicos, usam sua força, imponência e transformam sua presa rapidamente em alimento. A vida na selva não deveria ser para os fracos, menores, porém o lugar é de todos e eles, assim como qualquer outro, podem estar ali ou não. A selva não garante vida apenas aos predadores, mas ela garante um lugar privilegiado, às vezes até, oferece o trono, tornando rei aquele mais forte, que come melhor, as melhores carnes, frescas. - Quem ousaria enfrentar um leão em seu território com suas fêmeas?

A fome. As hienas não são corajosas o bastante para atacar o rei da selva. Elas se distanciam do rei, ficam na sombra enquanto o mais forte faz o trabalho. As hienas enxergam o rei de longe, o rei as enxergas... Mesmo sabendo que elas estão ali, os leões não ligam. Eles conhecem sua força e a fraqueza das pequenas hienas. As hienas? Bom, elas, magricelas, apesar da fome, esmagadora fome, esperam a boa vontade dos reis para poderem se alimentar dos restos que ali apodrecem. – Nem com fome as hienas se encorajam. Mais uma lei da selva.

Em situações adversas, esporádicas, elas, achando que o Leão está só, tentam armar o bote. Com aquele sorrisinho bandido se aproximam, de cabeças baixas. O Leão, mexendo uma das orelhas para espantar alguns outros mosquitos, as observa incrédulo: - Ah, não! Será que terei de sair de meu conforto? As hienas tentam, mas é claro, desistem.


Mais tarde os reis saem para a caça. Esbaldam-se de carne fresca. Banquete! Tempos depois, com o território livre as hienas, com fome - atormentadora fome - se aproximam e, se não tiver nenhum rei por ali, elas se deliciam com...  vejamos, restos apodrecidos de carne.


Mas que vidinha medíocre, hein, Dona Hiena!


domingo, 23 de fevereiro de 2014

Sacrifícios são válidos!!

Sacrifícios são válidos. E no ano de 2013 sacrifiquei-me do que mais gostava de fazer: comer! Uma das maiores decisões de minha vida. O resultado foi excelente!







Minha rotina beirava fraqueza. A preguiça era parceira e o cansaço quase ordem. Com 108 quilogramas ficava difícil ser habilidoso, jeitoso, competente e, simplesmente, chegar ao fim da tarde com alguma coragem. Meus 1,67 metros não combinavam com o fardo excessivo de obesidade. Não dormia bem, dores no corpo todo me perseguiam, estresse e, claro, um mal relacionamento com minha família, pois a paciência já quase não existia. Mas 2013 era diferente, um ano com novidades em minha vida. Um certo ser me fez despertar para sobrevivência. A necessidade de estar saudável para ver meu filho que acabara de nascer, crescer me fez enxergar um futuro mais justo para meu corpo e, consequentemente, para minha vida familiar. Pois bem, mudei!

Seis ou sete pães, eram os companheiros de um possível cafezinho no início da noite para compensar o cansaço. Ou, quem sabe, uma panelinha com carne frita e farinha, com macarrão ou arroz. Coxinhas, pastéis, empadas eram frequentemente acompanhas de um grande copo de nescau, claro, com bastante leite em pó. 400 gramas de leite em pó e uma latinha de achocolatado não duravam dois dias naquele ritmo. Pela manhã, sempre comia pouco. Mas durante todo o dia, um cafezinho com bastante adoçante me abastecia. Eram vários, seis, sete, oito só em uma manhã. Porém, no almoço, maneirava. Sempre pouco arroz, pouca carne. Entretanto, um docinho logo após era regra.  E lá seguia eu já pensando nos próximos cafezinhos da tarde, preparando para chegar em casa, lá pelas 18:30 h, e comer tudo que eu tinha direito. Meu peso ultrapassou limites que jamais esperei.

Levei muitos puxões de orelha, pois refrigerantes eram também regras nos fim de semana. Dois litros eram consumidos fácil. Em muitos domingos encerrava a noite com pizzas ou pastéis, hambúrgueres ou, como já citei, comidas requentadas carregadas de óleo.
Certo dia, após inúmeras tentativas para perder peso, inseri-me em um programa de reeducação alimentar incentivado pela minha amada esposa. Recebi a visita de uma representante Herbalife, a dona Márcia. Eu nunca acreditara naquilo, mas minha esposa acreditou em mim. Quando eu a questionava ela dizia: “Conheço você, se quiser conseguirá”. Eu então aceitei ouvindo dela diariamente dizendo: “Agora vai!” Isso me enchia de esperança.

Disciplinado, então, percebi resultados instantâneos. A balança já me indicava dois quilos a menos em uma semana de reeducação alimentar e exercícios físicos em uma academia. Sentindo fome, ignorando guloseimas, dizendo não para a tentação fui seguindo e, de dois em dois quilos, em um mês foram-se oito. Os elogios me enchiam de coragem e aquela frase: “Agora vai!” Me mostrava que estava indo, e bem!
Mas os eventos eram muitos. Festas com docinhos, salgadinhos, refrigerantes me perseguiam. Porém, eu sabia o que dizer em todos os lugares: NÃO! Em casa, minha esposa comprava ingredientes, chocolates, fôrmas e, cada vez mais, treinava seus dotes culinários. Aqueles aromas impregnavam a casa. E o NÃO me defendia. Nunca provei nada! Eu só comia o que deveria comer e pronto: um shake pela manhã e outro substituindo a janta!

Os 108 quilos em dois meses viraram 94. Perdi 14 quilos em 60 dias. As mudanças apareceram. As roupas estavam folgadas. Os olhares das pessoas se direcionavam a mim. Meu corpo estava mais leve, as dores sumiram, a disposição apareceu. Eu estava emagrecendo de verdade!
E continuo. Hoje peso 82,8 quilogramas. Preciso chegar aos 82,5 quilos para sair do sobrepeso. Praticamente consegui, 25 kg se foram! Meu treino na academia é levado muito a sério. Minha alimentação também. Continuo com o NÃO na ponta da língua, pois ele foi meu escudo. Ainda sinto desejos por doces, salgados, refrigerantes, mas já provei para mim mesmo que consigo viver sem isso.

Espero, com muita sinceridade que, minha vitória e força de vontade sirvam de ajuda para quem precisa. Por isso estou expondo detalhes de minha vida por aqui. Sei que não é fácil emagrecer. A obesidade estava comigo há 6 anos. Então, humildemente, como conselho digo que duas palavrinhas podem mudar a vida de quem precisa emagrecer. A primeira é NÃO. E a outra é FOCO. Saiba aonde você quer chegar. Trace seus caminhos, siga-os sem pestanejar. Vai ser suado, mas o resultado aparecerá. E aí digo o que fiz: Para trás nem para pegar impulso!


Em breve irei expor mais resultados de minha luta contra a balança. Nesse novo ano pretendo continuar vencendo essa briga. Abraço a todos e espero que quem precise emagrecer consiga alcançar suas vitórias.