sábado, 16 de abril de 2016

Elucubrações!

Do alto de uma montanha só há um caminho por onde a água da chuva desce: o de sempre. Terreno seco, molhado, ou até mesmo encharcado, é por lá que ela irá descer sempre!

Assim, diariamente, aos pouquinhos, como um gotejamento em uma torneira esquecida, restabeleço minha relação íntima com um grande amigo. E enquanto a água persegue o caminho antigo de sempre, enquanto volumetricamente pequena, umedece por onde passa. Meu amigo, filósofo, visionário, chato, inconveniente e irônico Nietzsche retorna aos meus braços. E, por sinal, parece mais novo, saudável.

Depois que a água reencontra seu caminho parece nunca ter saído dali. E depois de tanto tempo fora reaparece mais límpida, mais cristalina e com uma correnteza mais forte. Vidas que brotam, vidas se multiplicam. Vidas atraídas pela fartura das águas altas das montanhas. Vidas que outrora se consideraram extintas.


Bem vindo, Friedrich! Moinhos de água se erguerão e a mais forte energia vingará das elucubrações.  

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

O mundo, o tempo...

Cá está o mundo. Assim tão cheio de sonhos. Sonhos nebulosos, aonde a realidade perde horizontes. Mas não custa tanto sonhar. Nem sempre desejar é pecado. Mas encarece sonhar tanto. Nem sempre desejar é benéfico. Em uma vida tão cheia de decepções não dá para terceirizar o destino. Mas assumir o leme dá trabalho e nem sempre o autocontrole será agradável. E quando será?

 A engrenagem do tempo está a todo vapor. Nenhum sistema, máquina alguma é tão eficaz. E ele passa, sempre com sua pontualidade britânica. Correndo sempre atrás, está o ser humano. Quando perde a hora, vai para a estação seguinte torcendo para que não esteja novamente atrasado. Desatento, vulnerável e incrivelmente devagar. O tempo passa e, como já dissera Zenão em seus paradoxos, o homem jamais o alcançará. Sempre à espera. É mais fácil.

Cá está o homem. Sonhando em demasia. Poluindo o mundo com névoa, ofuscando sua realidade.  Quanto prejuízo. O ócio intoxica seu organismo e contamina seu meio. É radioativo. O brilho de longe engana. Decepcionante essa escolha. O tempo não perdoa tanta negligência. Velejar sem rumo em um mar de náufragos? Dê lugar a quem rema. Se afogue ou lute. Quanto prejuízo!


Voltar no tempo é suicídio. Só o futuro salvará o que se passou. Então o presente é mais valioso. Respirar o ar de agora valorizará a vida. O ar de agora suprirá sufoco do depois. Se existir. Assumir o leme trará luz que nasce em um horizonte logo ali há muito não visto. Siga-o. Corra atrás do prejuízo.   

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Alunos de Tutoia - MA Premiados em Fortaleza - CE / Alunos IEMMa





O reconhecimento dos bons alunos nunca foi tão valorizado quanto ao que vi em Fortaleza – CE, na premiação dos mais bem colocados na Olimpíada Brasileira de Química Júnior e outras modalidades. Uma lição de profissionalismo e de ousadia.




No auditório da FIEC (Federação das Indústrias do Ceará), reuniram-se organizadores, escolas e os vitoriosos alunos para uma solenidade simples na qual só importava uma coisa: O reconhecimento maior aos merecedores das premiações. Alunos de todo o Brasil se encontravam por lá, porém, eram das escolas do Ceará, mais precisamente de Fortaleza que víamos a força da competitividade. Em uma disputa sadia entre escolas particulares, vi o respeito mútuo exalar naquele auditório quando, na entrega das premiações, todos se mostravam orgulhosos e aplaudiam, não importava em que lugar o aluno estudava. Ali, a dedicação diária valorizou-se ainda mais, pois, professores sentiam-se entusiasmados e orgulhosos. Encantador!

 Duas escolas chamaram-me mais a atenção pela quantidade de premiados. Uma delas é a escola Ari e, a outra, aparentemente em grande maioria, era a escola Farias Brito. Uma escola militar também chamou-me bastante atenção. Entretanto o que mais parecia importante não era a concorrência, apesar da padronização das camisas de cores diferentes e fortes, mostrando que existia sim uma disputa, o que marcou, sem dúvida, foi a quantidade de jovens vencedores e promissores que aquelas escolas estão promovendo, lógico, a partir da iniciativa dos organizadores da Olimpíada. Um show de eficiência.

E o IEMMa estava lá. Representando 20% de todo Maranhão, tínhamos três alunos entre os melhores. Matheus, Thayane (ambos do 9º ano) e Petrúcio Filho (8º ano) representaram nossa cidade de Tutoia, nosso Estado Maranhão, nossa escola, o Instituto Educacional Maria Madalena, IEMMa, nossa boa escola. Esses três adolescentes são para nossa cidade, assim como a aluna hoje de Ensino Médio, Dione (Medalhista de Prata e melhor colocação do Maranhão em 2013), um exemplo para os outros jovens de nossa terra.

Parabéns Prof. Clicia Ramos Bittencourt por liderar essa turma de vencedores. Parabéns meus alunos, vocês merecem o reconhecimento, mas lembrem-se, a vitória maior ainda virá e vocês não podem jamais deixar de lutar. Estudem sempre e cada vez mais. O caminho e as portas para o sucesso estão na sua frente.


Instituto Educacional Maria Madalena, uma boa escola, a escola de campeões. Somos do Maranhão, somos de Tutoia, somos todos IEMMa.


                                       

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Bastava olhar para o lado. Nosso país não cuida de suas crianças!

Há alguns dias conheci um garotinho. De olhar distante, fala arrastada e de pouca expressão ele se aproximou de mim enquanto eu aguardava o momento de jogar uma partida de futebol em um campinho society onde sou associado. Eu estava conversando com um colega sobre os times do brasileirão e o menino logo se interessou me dizendo qual jogo passaria mais tarde na TV. Sou professor de crianças e, sempre que posso, converso com as que me dão a honra. Não lembro o nome do garotinho, mas da conversa que tivemos mais nenhum detalhe me saiu da mente.


Depois de jogar algumas partidas e perder a última, fui descansar sentado, ao lado do campinho. Não sabia bem o motivo, mas o garoto veio e sentou ao meu lado e, vendo os outros jogos, conversamos mais. Ele via os outros jogando e me dizia que jogava bem melhor. O achei bem esperto e depois de conversarmos sobre futebol perguntei a ele se ele estudava. Ele afirmou que sim. Perguntei qual ano ele fazia. O 7º, me respondeu. E de estudar, você gosta? Balançando a cabeça disse que sim. Insisti e o questionei sobre sua disciplina favorita e ele, rindo, disse: - aquela, como é mesmo? Ah sim, Geografia. Perguntei se ele era bom em matemática. Ele riu novamente e disse que sim. Perguntei de que ele gostava mais em matemática e ele disse que eram os números. E de ler? Indaguei. Ele disse que sim. Tudo que eu perguntava ele respondia positivamente.

Ele olhava o pessoal jogando e comentava: - Esse cara num sabe chutar. Eu chuto com as duas pernas. E foi aí que ele me fez a primeira pergunta: - Tu tosse pra que time? Eu disse que era botafoguense. Ele disse que também era. Aí ele parou e perguntou novamente: Ei, têm quantos homens jogando ali? E eu lhe disse, quase que instantaneamente: Conta aí, cara! Ele tentou e disse: Sei lá! (rindo) Como estavam todos correndo o tempo todo vi que ele provavelmente teria se atrapalhado na conta. Então eu lhe disse: Presta atenção: Tem um goleiro em cada time e cada time têm cinco pessoas na linha, quantos jogadores têm? Ele concentrou de novo e disse: Quatro! Olhei repentinamente e indaguei: Não, siô, se tem  dois times e cada um com seu goleiro, quantos jogadores têm ali? Ele balançou a cabeça dizendo que não conseguia. E eu disse: Confere nos dedos! E ele abriu uma das mãos e disse: Quatro! Não, cara, usa as duas mãos, eu insisti! Bem atrapalhado ele errou novamente. Aí eu perguntei: Rapaz, quantos dedos tem em sua mão? Ele não soube responder!

Dentro de mim, lamentei. E, já que ele não se negava responder minhas perguntas, resolvi facilitar: Tu sabe o nome de todos os teus professores? Ele riu e disse que não. Perguntei novamente: E na tua escola, como é lá, o que tu faz quando vai para lá? Tu gosta? Ele disse que gostava, que merendava lá quando tinha lanche e depois ia para casa.

Eu perguntei se ele ajudava o pai e a mãe dele. Se ele trabalhava com o pai, ou com a mãe. Perguntei se ele respeitava os pais dele. Disse a ele que era importante respeitar e obedecer aos pais e perguntei se, quando ele teimava ou desobedecia a mãe dele, se ele apanhava. Ele riu. Disse que ajudava o pai dele na roça e que se desobedecesse ele apanhava sim. (ele riu bastante.)

Chegou a hora de voltar ao campo. Fui, joguei... Depois de um tempo, ele me chamou: Ei, ei botafoguense. Eu fui lá. Ele me pediu um real. Eu me espantei... Mas disse a ele que quando eu ia jogar não levava dinheiro. Eu pedi a ele que fosse para casa. Disse que já estava tarde.
Ainda quando conversávamos sobre a escola, eu perguntei o que ele achava mais difícil na escola. Ele me falou, fazendo um gesto com as mãos, meio encolhido, quase que contorcido, que era escrever palavras.

Esse garoto não saiu da minha cabeça desde então. Não o vi mais, entretanto sempre que me lembrava das eleições, do meu voto, eu pensava naquele carinha. Mas não votei por ele, nem por ação social nenhuma. Minhas escolhas são simples, no sentido de que a hipocrisia de me achar responsável pelos outros não me pertence. Mas sempre me pergunto: Qual chance esse garoto terá se um dia precisar concorrer com alguém da mesma idade dele, mas que tenha realmente estudado? Pergunto-me o que aquele garoto fazia fora de casa até àquela hora, 21h30min. Pergunto-me o motivo de ele ter me pedido um real ou para quantas pessoas ele já havia pedido.

Pergunto-me: Por que aquele garoto, esperto, que respondia minhas perguntas com atenção, e que achava que escrever palavras era difícil, que não sabia o nome dos professores dele, não sabia contar em seus dedos?

Quem é que cuida do futuro desse menino? Quantos, como ele, existem aqui, do lado de minha casa, ao lado de vários prédios escolares novos? Quantos meninos de 10 ou 11 anos existem nesse país, como ele?

Que programas sociais, inclusivos e salvadores assistem esse moleque?



É justo que esse garoto viva assim? Ele tem 10 anos, mora no interior do Maranhão e já deveria ser um dos bons frutos deste projeto de governo “imensamente governante dos que mais precisam” e tão vitorioso que aí está.

Mas o menino ainda obedece e ajuda seus pais. Uma ponta de esperança!

Nosso país é atrasado. Nosso país não cuida de suas crianças!


É só olhar para o lado... Bastava ter olhado para o lado!


domingo, 10 de agosto de 2014

Papagaio de cor azul-claro!



No lar saudoso, área sempre disponível para corridas, brincadeiras e traquinagens. Uma cisterna, a porta do comércio ali, um jardim, palmeiras e uma grade. Subimos na grade, sujamos as mãos. Corremos no terraço e logo os pés vermelharão devido à cera imposta naquele piso.
Lembranças! 

Na cozinha, um ônibus! Embaixo da mesa de madeira imaginávamos passageiros, viagens, histórias... Conseqüência da rotina de idas e vindas nos veículos populares apanhados em paradas logo ali, em frente à clínica, antes da feira, ou na parada final, cedinho!

Em frente de casa, o asfalto. Depois do asfalto terra, pedras e um beco. Petecas, queimado, sete pecados, trinta e um alerta marcaram a viela tão quanto a grade preta que a separava do hospital, ao lado, antes da Rua 7. 
Ali, no beco, caminhei, de manhã cedinho ao lado dele. Na minha mão a mão dele. Na mão dele a novidade.
De cor azul-claro, do tamanho de um caderno, desses de 12 matérias. Seda, plástico, uma Linha 10. Meu papagaio azul, que meu pai me deu.
A pipa era pequena, comparada as que eu já tinha visto. Mas, como sempre, se estava nas mãos dele, o valor era inestimável. 
Caminhamos no beco até termos espaço para soltar a pipa azul. Eu a segurei, meu pai se afastou e, logo depois disse: - Solta! 
O rabo do papagaio parecia aplaudir sua subida. O som que sai daqueles plásticos tirados de sacolas ao se chocarem com o vento é digno de salvas.
E lá se foi ela! E eu corri para o lado dele.

Lá, olhando sempre para cima e para meu pai ao mesmo tempo, vi outras se aproximarem. Rapidamente vi minha pipa descer. Meu pai, previamente a recolheu para não perdermos. Em um graveto, via linha 10 formar um X: - É mais prático! Dizia ele. 

Depois do asfalto, na volta, o portão de madeira branco. Voltamos para o lar. Para as palmeiras, vizinhos, grade! Beber água, geladeira azul, mesa de madeira... Ônibus!
Minha casa, minhas irmãs, minha mãe sempre me achando lindo, minha área, meu chão vermelho com cheiro de formiga, nosso jardim com pingos de ouro. Meu pai! 

Saudades da pipa azul-claro!


sábado, 9 de agosto de 2014

Meu pai, parabéns!



“Meu pai, parabéns!

Gostaria de lhe dizer uma coisa:
- Certo dia assisti a um filme interessante. Sua trama resumia-se à caça de um tesouro: A fonte da juventude!

Os desbravadores, depois de muita luta, encontraram a fonte. Porém, havia outro segredo reservado naquele tesouro. Para tornar-se jovem para sempre, quem bebesse da fonte, em taças mágicas, precisava escolher outra pessoa para tirar-lhes seus anos de vida, só assim teria sua tão sonhada juventude.”

Este filme fez-me lembrar imediatamente de meu pai. Na época ele estava completando 60 anos, há três anos! E estava passando por alguns probleminhas que fugiam de sua capacidade de reação, até então. Resolvi escrever-lhe uma carta, citando o filme e sua história, o que seria na época oportuno. E hoje, apesar de dominado o probleminha, resolvi repetir a carta, mas aqui, aberta ao público, para homenageá-lo nesse dia dos pais. Claro, com sua permissão!

E eu disse a ele:
“- Ao assistir ao filme imaginei a Fonte da juventude embrulhada para presente e sendo entregue ao senhor! Oportuno para quem está com 60 anos, não? Pois é, isso é algo ilusório, que conforta. Ainda mais para um filho como eu, imaturo e que ama seu pai, incondicionalmente.
Saiba que eu daria minha vida pelo senhor. Isso é bonito, eu sei. Porém, como o senhor me ensinou, precisamos ter os pés no chão. E por mais que o filme tenha me feito sonhar, lembrei de outro ensinamento seu: ‘Precisamos viver e aceitar a realidade.’ (Sem saber o que viria anos depois, deparei-me com os livros de Nietzsche, defendendo a mesma tese. Apaixonei-me de cara!)
Por favor, não pense que eu esteja achando que o senhor já está ficando velhinho, longe de mim. Pelo contrário. No decorrer desse ano percebi algo importantíssimo: O meu pai está iniciando mais um ciclo de sua vida e com mais uma vitória. O senhor, meu pai, mais uma vez, nasceu saudável, pronto para o combate. E como sempre fez, mostra que é uma criança que amadurece rápido e responde sempre à altura o que a vida lhe cobra.
Para que serve uma fonte da juventude para quem está sempre se renovando? Bem, depende do ponto de vista: O senhor já bebe de sua fonte. Sua fonte são os desafios que sempre lhe são propostos. E como o senhor embebedou-se dessa água que sempre lhe foi oferecida! Não fugir de seus desafios lhe proporcionou mais força para viver.
Meu pai, seus 60 anos são para mim, ao contrário da fonte do filme, um injeção de vida. Mais que suas palavras, suas ações são meus incentivos! E sei que para o senhor essa etapa é um brinde de taças cheias, de vida, de motivações e sede de vitórias!
Viva, meu pai! Viva!”

Escrevi essa carta no dia 20 de outubro de 2011. Dia do aniversário de 60 anos de meu pai, Zezé Ramos.



sábado, 2 de agosto de 2014

Desinverter! - Ou, Navalhas, Frio e Solidão!

Ao descer, o diminuir do frio não ameniza o aumento dos cortes provocados pelas navalhas da convivência. Nas montanhas não só não existem navalhas, como também, é o frio que aquece a solidão!

É quente, sem saída e liso, escorregadio. O chão jamais seria a realidade.
O chão é um ouriço em sua mais invertida forma. E o núcleo é você: - Sem defesa!
Aqui, sem escolha, sozinho é impossível estar. Logo, verdade é possível lá, apenas longe.
Uma pedra de gelo em água morna. É... Aparentemente em casa! A temperatura, espinhos, a consome.
Como tentar buscar o gelo em água morna meia hora depois é tentar voar anos depois de o chão muito pisar!
E se sólido permanecer? Trinta minutos após, no espelho, a menos um Celsius: - Ainda estou! Em cima estou!
Existir sim: realidade. Gelo, veja bem, água não!
O ouriço desinverte, enfim! À medida que o alto se apresenta o núcleo ataca, não se resguarda. Não se mistura.
Degraus aqui! Degraus voltaram.
Pés ainda descalços; ah, as brasas benéficas. Sapecaram enquanto vibrávamos de ódio!
Chorando, enquanto invertido. A descida investida, lucrativa por segundos, acaba!
Arrogante na subida! Degraus puxando, rolantemente, para o topo. No alto nem espinhos existem. Não são necessários!
Adeus às brasas. Adeus navalhas. Adeus aos alguéns!
Aquecido pelo frio, no alto! Pés queimados, torrados, sapecados. Cicatrizes? – Sim!
Enfim, sozinho!
Só!
Sim, realidade, é você! Verdade, sim, acredite, é você!
Quem precisa de talvez? – Verdadeiramente duro! Pedra, gelo. Em meio aos iguais, não derreti!
No chão pisei, mais uma vez! Mas derradeiramente subi. É o fim!
O medo sucumbiu. – Grandeza de montanha é o meu lugar!
Brasas no bolso, entre os dedos, retina... Não existirá mais talvez! Não precisarás mais descer para se queimar.
- E se não souber mais viver sem o talvez?
- Como aquecer no alto, um peito angustiado, gelado, solitário por escolha e pelo rancor acompanhado?
Já ouvi falar de angústia! Essa cicatriz me faz aquecer a lembrança.
Se sentires falta do chão, não olhe para teus pés! E se for abstinência, embebeda-te com teu rancor! Ou, lembra-te dos bolsos. Nas mãos também existem “entre os dedos”. Queima-te! Mas, descer não é mais preciso. Desnecessário, apenas vício. Só uma fraqueza explicaria tal risco. - Do alto me reconheço, agora. Não mais, para baixo, me ponho nem a observar. Chega de delírio!
- Meus bolsos, entre dedos, meus olhos... As angústias  são o suficiente para não mais o chão com meus pés fincar!