Todos aqui, em suas escolas — e alguns que ainda estão —, já estudaram como a história nos mostrou, ou mostra, os acontecimentos importantes do mundo. Em toda a sua linha do tempo, tivemos quem contasse a história de maneira correta e aqueles que a contam de acordo com a conveniência do contemporâneo, diminuindo, assim, as possibilidades de retratar a realidade. E, por isso, cabe ao leitor ter coragem e curiosidade nas veias, além de uma sede aguçada pela verdade na alma.
Coragem para nadar “contra a maré”, se quisermos, de fato, flertar com o que é verdadeiro, e curiosidade infinita para irmos em direção à verdade e não sermos alienados. Mas de que maneira?
Ali, ao lado da história, há a Filosofia, que nos mostra como fazer isso. Os gregos, por exemplo, são responsáveis por nos dar sustentação na maneira de pensar e agir e, apesar do secularismo, seguem sendo fonte de verdadeiro conhecimento, não nos deixando sucumbir nesse mar de correnteza forte. Platão, por exemplo, é uma das fontes que jorra a água que mata a sede da alma em muitas áreas da vida e, obviamente, também no futebol — mais especificamente, na Copa do Mundo de Clubes da FIFA.
A Copa do Mundo de Clubes expôs ao mundo o tamanho da caverna platônica e das correntes que prendem os escravos da modernidade: a Europa como o centro do “bom futebol”. O que os moradores da caverna chamam de bom futebol, na verdade, pode ser apenas a sombra refletida de um mundo imaginário que acorrenta quem ainda não tem sede e não teve a coragem e a curiosidade de ir além, de sair da caverna do eurocentrismo e dos grilhões da mídia que domina as redes sociais.
Vimos, nos últimos dias, Botafogo, Flamengo, Fluminense e Palmeiras, além de Boca Juniors e River Plate, avisando que o mundo real é outro e está do outro lado das sombras. Eles avisam, torcedores incrédulos gritam, alertam quem ainda não acordou ou enxergou, mas continuam sendo chamados de loucos, de imaturos. E, pior, não são bem-vindos, já que contestam aquela “realidade” tão confortável quanto as correntes que os escravizam.
Ao vencer o campeão da Champions League, o Botafogo mudou o foco das luzes, desconfigurando as sombras da caverna; alterou a percepção da realidade, trazendo os holofotes para suas cores preto e branco, confundindo ainda mais aqueles que insistem em dizer que aquelas listras alvinegras eram de zebra, quando, na verdade, eram — e sempre serão — as listras que servem de caminho rumo à Estrela Solitária que acompanha o facho de luz, contemplado apenas por quem deixa de seguir as sombras e decide caminhar em direção à luz.
Viva o futebol. Viva o Mais Tradicional. Viva o Botafogo!

