quarta-feira, 24 de setembro de 2025

O Café, o Celular e a Verdade

 


Era uma manhã como tantas outras, 4h30. O cheiro de café fresco se misturava ao barulho da chaleira e ao suor do aquecimento para mais um treino na estrada, enquanto as postagens anunciavam mais uma crise econômica. João pegou o celular: os reels e shorts diziam — “Nova proposta do candidato promete igualdade plena entre todos, finalmente os direitos serão iguais”. Sorriu, meio desconfiado. No vídeo seguinte, um investidor vendia seu curso e anunciava: “A vitória do mercado que se autorregula. Quer saber o segredo? Clique aqui”.

Dois mundos em conflito, pensou. A tal polarização, seria isso? De um lado, a promessa de uma igualdade absoluta que nunca se cumpre; de outro, a ilusão de que o mercado, “sozinho”, resolve tudo — desde que se compre o curso. Ambos falavam de liberdade, ambos falavam de justiça. Mas João, catequista recém-convertido, sentia que faltava algo: a Verdade.

Lembrou-se das palavras de Jesus: “Conhecereis a Verdade, e a Verdade vos libertará” (Jo 8,32). De que adianta liberdade sem verdade? De que adianta a ideia se não há realidade?

Enquanto coava o café, João percebeu: as ideologias são como aquele pó que nunca se dissolve — mudam a água, acumulam sujeira, até dão uma energia no início, mas logo cessam. Prometem resolver, mas deixam sempre o amargor. E, como bom catequista, lembrou que a Igreja, tantas vezes criticada por dizer “não” às ideologias igualitaristas, aos sistemas de mercado absoluto ou às fraternidades esotéricas que relativizam a fé, não o faz por teimosia, mas por fidelidade à realidade do homem e à Verdade que é a Pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Ao sair para trabalhar, João fechou o celular e pegou o terço. O mundo podia inventar sistemas e teorias, ideologias e facilidades mágicas, mas nenhuma substituiria o simples fato de que o homem só encontra sentido quando carrega sua cruz e descansa em Deus. E, nesse instante, ele sorriu: a Verdade não era uma ideia perdida em debates de filósofos, militantes ou classes, mas um Amigo que caminhava com ele e o guiava.

Perdoa-lhes, Senhor. Eles não sabem o que fazem.

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